Um fusca e muitas memórias

Eu também quero um assim.

Eu também quero um assim.

Meu primeiro carro, em meados dos anos 90,  foi um Beetle. Um fusca muito amarelo – tipo o que Emma Swan, a protagonista de Once Upon a Time, dirige no seriado. Era uma época em que tudo era novo. Era meu segundo ano de Gramado, eu começava a trabalhar como correspondente do Jornal Pioneiro na serra gaúcha e também a escrever uma coluna social da região no jornal.

Mas nem tudo era tão novinho assim.  Meu fusca amarelo era (muito) bem rodado.  Já havia virado os 100 mil quilômetros. E  tinha uma folga na direção que me tornou ágil em curvas e esquinas,  e me ajudou a tornear os músculos dos braços, com certeza.  Novo no Quindão, o nome com que foi batizado (como acontece com qualquer carro cheio de personalidade), era apenas o som. Apaixonada que sou por música, mandei instalar um rádio e caixas incríveis. Coisa de ‘magal’, mesmo…

Espécie já rara na época e de cor um tanto quanto efusiva e alegre,  claro que Quindão se destacava nas ruas de Gramado e Canela. Chamava a atenção, mesmo. E, mais do que isso, denunciava paradeiro e presença de euzinha  e/ou de minha então roommate Fabiana Costa, que dividia também a direção do fusca de som turbinado comigo, em bares, baladas, restaurantes e ruas de ambas as cidade. Era uma época divertida, que registrei com carinho e muito afeto na  memória.

E é isso que me faz curtir tanto releituras de fuscas quando as vejo por aí – sejam super hi tech ou singelas, meigas e fofas, como a que o  Festival Brasileiro de Quilt e Patchwork  apresenta em sua edição 2012 em Gramado. O Beetle customizado com patchwork, exposto na Rua Coberta, ficou lúdico e lindo – como tudo que envolve este belíssimo evento.  Com ele,  veio à tona a certeza de que, tal qual um patchwork, nossas vidas são compostas por retalhos de momentos que, unidos, compõem nossas memórias afetivas. E a nossa história.

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As fotos do Beetle lúdico são de Douglas Trancoso