Traição: duas faces da mesma moeda

É sempre a mesma coisa. Quem é traído, se ressente. Quem trai, se culpa. Em  ambas as situações, alguém sempre sai alguém ferido. E isso nunca é legal. Pra ninguém. Digo isso porque já vivi os dois lados da moeda. Já fui Angelina Jolie, a que trai e vive com o desconforto da culpa. Também estive no papel de Jennifer Aniston, a que sobra e se ressente. Por isso, posso dizer: nenhum dos dois lados da traição é legal.

Comecei a pensar em tudo isso depois de escutar um cliente bastante chateado com o desfecho da separação.  Com receio de magoar a futura ex-esposa, optou pela não verdade. Ou melhor, pela omissão de detalhes – tipo estar interessado em outra pessoa. Tal qual Brad Pitt, jurou de pés juntos em frente a sua ex que precisava de um tempo. Para se descobrir.

A ex, por sua vez, acreditou desacreditando nas palavras e justificativas do quase ex-marido.  Ora, se é coisa que mulher tem é faro apurado – intuição, amigos. Principalmente quando o assunto é carne nova em território de seu domínio.  Mas enfim… Tal qual Jennifer Aniston, aceitou a decisão sem muito barulho.  E assim como ela, logo depois, se deparou com com a figura do ex, faceirito e feliz, circulando ao lado da sua Jolie.

Pois ao ouvir essa história, não pude deixar de relembrar o que senti nas vezes em que protagonizei as duas faces dessa mesma moeda. Ooops, história.   Quando fui Jolie, senti um profundo desconforto e lamentei a nossa então total incapacidade em dizer a verdade. De sermos honestos e arcarmos com as consequências, sim.

Já quando fui Aniston, senti na pele a dor de ser traída. E não falo do fato de meu então ex ter se apaixonado por outra pessoa. Isso, caros leitores, pode acontecer com qualquer um – comigo, com você, com o Brad Pitt ou com a Britney Spears. Como dizem por aí, no coração ninguém manda. Dolorido é mesmo a existência de mentiras ditas “pra não magoar ninguém”, mas que acabam causando o dobro de danos quando vêm à tona.

Diante disso tudo, tenho hoje uma convicção muito forte. Em qualquer uma das situações, Jolie ou Aniston, ser honesto consigo e com os outros é ainda a melhor opção. O melhor caminho para evitar feridas profundas e de difícil cicatrização, por mais difícil que possa parecer no momento. Lembre que a Angelina Jolie de hoje pode ser a Jennifer Aniston de amanhã. E vice-versa.

Texto de julho de 2008