A rEvolução do espírito

Inspirada na energia volátil sob o céu nessa última semana,  compartilho aqui com vocês uma história que uma amiga me contou tempos atrás.

Em um dos muitos prédios do bairro em que ela mora há um pássaro de tamanho médio, cuja gaiola fica exposta para a rua. Até aí, nenhuma novidade. O que fascina é o que acontece tão logo a persiana sobre e o vidro se abre a cada manhã. O pássaro recebe dezenas de amigos que, como em uma romaria, vão pousando no beiral da janela para contar as novidades.

Os passarinhos que o visitam, ela acredita, habitam jacarandás e as muitas outras árvores das ruas próximas. Pelo que percebe, nunca se demoram – talvez com medo de serem aprisionados. Ela observa que gorjeiam as novidades e vão embora.  Pois sempre que presencia tal cena, ela imagina o tipo de conversa que se estabelece entre eles: as aves livres contando façanhas deliciosas feitas ao embalo de ventos mornos, aquecido pelo sol em dia de céu claro. Ou viagens feitas em incríveis correntes de ar, narradas com entusiasmo. Ou mesmo a  visita a novos lugares, árvores, bairros e até mesmo cidades – coisas que só a liberdade de ir e vir permite.

Nesses momentos, como em um bom desenho animado, ela consegue até mesmo visualizar o engaiolado sonhando em viver muitas aventuras. Mas aí, ele logo se defende de tudo que essa imagem provoca, e com desdém diz que não precisa de aventura e que prefere o certo ao incerto.  E defende com veemência todas as vantagens viver em cativeiro.  Por exemplo, não se estressar com as intempéries do tempo e nem com a busca por comida.  Gatos e ratos? Não há porque temê-los. Afinal, está protegido contra tudo e todos não apenas pelas grades, mas também pelo amo e dono.

E então, eu pergunto: será mesmo? Quem garante?

Pois  quando lembro da história do pássaro que minha amiga conta, e de como ele se resigna a girar em círculos na sua gaiola, penso em nós pessoas, seres humanos.  A ave desta gaiola me lembra que as nossas limitações estão dentro de nós, que criamos as nossas próprias gaiolas internas quando nos limitamos em nome de uma pseudo-segurança que  – nunca – é tão garantida assim.   E que elas nascem da desconexão com as forças que nos compõe. Com a natureza nossa. Com a alma & o espírito.  E isso é o que nos impede ouvir o canto do nosso próprio coração e nos torna indiferentes ao dos outros.

Por fim, essa história me lembra da  responsabilidade sua, minha e de cada um de nós  em ser leal e viver plenamente, por inteiro, àquilo que se é.  A única coisa capaz de nos dar autoridade, confiança e segurança diante de qualquer abalo, terremoto, crise.  Só isso pode mudar efetivamente e de fato a dinâmica que hoje predomina no planeta e nas nossas vidas.

Mas como se faz isso?

Estabelecendo uma relação íntima com as forças que compõem a nossa natureza. Com aquilo que a gente verdadeiramente é: com o nosso espírito. Quanto mais em contato com nossa natureza, a nossa verdade,  mais forte energeticamente nos tornamos.  Porque assim alimentamos nosso espírito e, com isso, elevamos a vibração de amor do coração.  Nessa frequência, nos retroalimentamos e nos mantemos conectados com a sabedoria do coração, a única capaz de nos guiar diante dos anseios da alma e dos propósitos do espírito.

Sim, sim, sim!!

Quanto mais nossas escolhas estão em sintonia com a nossa própria natureza, com a verdade do coração, mais forte  ficamos. E quanto mais agir assim, mais  retroalimentamos o espírito, e mais fortalecemos o campo energético e o poder pessoal. Porque é a sabedoria inata de amor do coração, e sempre ela, que guia e mostra o que realmente é relevante e verdadeiro para o espírito e a alma em nossa existência por aqui.

Ouvir o coração, se conectar com a freqüência de amorosidade dele e assim fortalecer o espírito. Essa é grande revolução que vivemos,e que o pássaro da história de minha amiga me faz lembar.