Poder & desapego, Plutão

‘Vida é um processo cíclico e de constante transformação’
Dane Rudhyar

O primeiro planeta que você encontrará aqui é uma das figuras mais poderosas do zodíaco –  e símbolo de uma força da natureza impossível de conter: a dos ciclos,  esse ritmo tão básico de tudo na vida e no cosmos, com sua  mudança & transformação.  Uma energia atômica, vulcânica, visceral, intrínseca à vida.

Apresento para você Plutão, planeta cujo simbolismo é associado ao deus mitológico Hades, o governante do submundo, do mundo dos mortos e de toda a riqueza invisível que jaz no inconsciente e no subsolo.  A esta força associamos os ciclos de nascimento-morte-renascimento, a capacidade de transformação e transmutação (e, por isso, a alquimia, os magos e bruxos), o desapego, os finais irrevogáveis e também o luto necessário e obrigatório.

A propósito, a associação simbólica deste planeta ao pagamento de débitos e taxas também pode ser visto no mito de Hades. Mais especificamente, em um dos ritos de morte. Uma moeda de ouro devia ser colocada na boca do morto, para que o defunto pudesse pagar seu acesso ao submundo. Se não pagasse, sua alma estaria condenada a perambular nas praias do Rio Estige, o divisor entre o mundo dos homens e o submundo. Ou seja, ficaria preso no limbo – nem lá, nem cá.  Pois o luto que vivemos a cada final de ciclo é o pagamento que fazemos a Hades. E por isso, imprescindível para o desapego. Para que possamos ir adiante de fato, sem ficar preso no limbo chamado apego.  Sim, finais & mortes – sejam de ideias, conceitos, pensamentos, memórias – precisam de lamaento por um perído, sim. Pra depois, deixar ir.

Sua energia é visceral, subreptiva, poderosa, explosiva, catártica, intensa, vulcânica, atômica.  Uma potência que quando encontra oposição ou resistência, não se deixa acuar.  Devasta. Sempre em nome da perpetuação de vida. Pra compreender rapidinho, pense nas estações do ano e no que acontece com algumas árvores ao logo deste ciclo anual.  Elas se desnudam totalmente de folhas e frutos, morrem simbolicamente, e depois voltam a florescer, em toda a sua exuberância e potência.

Aliás, já imaginou que desastre seria se as árvores resolvessem ser apegadas às suas folhas já sem vida e se recusassem deixá-las cair no outono? Um colapso, não é mesmo?  Da mesma forma, a força simbolizada por Plutão nos faz conscientes dos necessários finais & mortes – sejam ideias, conceitos, pensamentos, memórias, vínculos ou estruturas obsoletas.

Plutão nos conecta ao transmutar característicos dos ciclos, o modus operandi da natureza e do mundo que nos cerca. É a morte de algo como conhecemos para dar lugar a alguma coisa nova e imprescindível  para a evolução.  Porque sem isso, a vida não se perpetua. Afinal, tudo aquilo que se esgota e estagna, acaba morto. E assim, se torna vazio de propósito e defasado na natureza. E necessita e deve ser substituído.

 

Pois o despertar da força de Plutão nos sintoniza e torna conscientes dessa lei irrevogável da vida e da natureza, nos faz compreender a sabedoria e a profundidade desta verdade.  Porque esse é o verdadeiro e maior poder que há na vida: abrir mão, desapegar de algo já moribundo antes que se torne tóxico e transmutá-lo em vida.

Sim, sim, sim. Esta força nos dá poder para compreender e conduzir os ritos de passagem e transmutação com sabedoria, convicção e profundidade.   Acredite: sempre, sempre mesmo, há algo novo para substituir o que findou. Porque esse é o modus operandi  da vida, do universo, dos cosmos.

Por isso,  jamais esqueça que o apego de qualquer forma, seja por medo, conforto ou qualquer outro sentimento, irá bloquear a expressão dessa energia, provocando uma verdadeira implosão atômica, que nos devasta, enfraquece o nosso poder pessoal e suga a nossa libido.  Ou, pior ainda, nos conduz a abuso do poder, controle, coerção, manipulação e destruição.