O problema é dele, não seu

‘O problema não é você. Sou eu’

A narrativa é sempre a mesma! Mudam personagens e ambientação, mas o enredo permanece muito o mesmo.  Nas últimas semanas, ouvi taaaaantas histórias semelhantes, que me lembraram um texto que escrevi anos atrás – e que, pelo jeito, por se tratar de comportamento humano, segue valendo.  Então, compartilho com vocês,

Sou uma believer. Uma pessoa que acredita no amor e nas pessoas. No melhor do planeta, da humanidade. E na verdade da intenção. Por isso,  nem questiono quando o boy responde  a mensagem, 45 minutos depois da hora marcada, que não poderá curtir vinho, velas e rock´n roll, porque a filha acaba de passar mal e ele está no plantão da Unimed.

Relevo o fato que não há atendimento na Unimed à noite, somente no hospital da cidade. E que ele podia ter avisado antes.  Mas aí, passadas  váááááárias horas e diante da ausência de um boletim sobre o estado da filha adoentada,  eu deixo de acreditar . Na mentira.  Porque quando o silêncio fala, a verdade não cala.  E a intenção fica clara. E não dá pra se enganar.

Estou diante de um cara que ‘não está tão a fim de mim’ e que não tem coragem de dar a real.  

Mas aí, eu pergunto:  por que ainda dou papo e espaço a um tipo assim?

Essa é uma pergunta que não cala quando ouço essas narrativas e, cuja resposta, como tudo na vida, esta  não é única, mas de muitas nuances. E múltiplas alternativas.  Uma delas reside nas inseguranças que impedem estabelecer limites saudáveis nas relações e reconhecer a diferença entre fazer concessões com sabedoria e mendigar atenção. 

Se tu adoras sexo, como é que vais namorar e ser plena  com um cara que foge do teu beijo?  Como é que tu vais te sentir amada ‘stalkeando’ e perseguindo o cara a unha pra nada mais do que umazinha se o que tu gostas é de romance?  Como tu podes levar a sério um cara que quer desesperadamente te encontrar quando vocês estão trocando mensagens, mas desaparece quando tu estás na mesma área de cobertura dele? Como tu podes ser o amor da vida de alguém se ele não te procura e some sem explicação sequer?  Não tem como, né?!

E eis porque penso ser tão importante o tal autoconhecimento. 

Porque só assim a gente desenvolve a capacidade de ver e amar a si mesmo como se é! E com essa consciência, sabemos discernir entre o que nos faz bem e enche de amor e o que suga e drena a nossa vitalidade e energia.  Só com essa consciência evitamos armadilhas como a carência e damos a cada  desculpa esfarrapada o significado que ela de fato tem: nenhum, e não desperdiçamos energia com quem e o que não merece e mantemos saudável distância do só faz mal.  E  amamos e somos amadas de fato.