Leveza, o novo sexy

Jennifer Lawrence: tombo ao receber o Oscar de melhor atriz coadjuvante

Jennifer Lawrence: leveza e bom humor diante do tombo ao receber o Oscar de melhor atriz

Já percebeu como, nestes tempos contemporâneos, a leveza de espírito, e não a do corpo, vem se tornando o novo sexy? Já reparou nisso? Ainda não?

Então preste atenção em estrelas como Jennifer Lawrence, que conduz com toda a leveza e bom humor os momentos saia justa da vida. Porque isso vem se tornando poderosamente sedutor – mais que os decotes ousados e as fendas da outra Jennifer, a Lopez. O riso, dizem eles, é afrodisíaco.

Nos últimos tempos, tenho ouvido testemunhos de que o que seduz e atrai não são somente corpos bonitos e sarados. Sim, eles funcionam como chamariz e são sempre bem-vindos. Indiscutivelmente. Mas o que magnetiza e conecta, de fato, é a confiança de quem está em sintonia com o próprio poder, que se aceita como é, não esconde os pontos vulneráveis, sabe rir das imperfeições e, assim, se torna leve. Como a personagem Gretta, interpretada por Keira Knightley, no filme Begin Again (Mesmo se Nada Der Certo).

Quando aceitamos a nossa natureza, exatamente como somos, acolhemos nossas deficiências (e as dos outros), bem como as situações que a vida vai apresentando – tipo, cair na escada antes de receber um Oscar. E assim, nos conectamos ao que de melhor nos habita. Com aquilo que abunda em nós. E isso nos leva a amar com todo coração quem somos.

Aí, o resto é consequência!

Naturalmente vamos despindo os excessos de críticas, de cobranças, de dogmas, de controles até chegar à nudez total ao abandonar o algoz ‘tenho que’, com todo a pressão que ele traz consigo. Aliás, eita expressão infeliz essa – quase sempre conectada à angústia da não opção. Por isso, ela e o tal ‘must have’ saíram há tempos da minha wish list, exatamente por serem radicais e pesadas demais para quem valoriza a leveza do simplesmente ser.

Sim, aceitando a nossa essência, a nossa natureza, nos conectamos ao nosso melhor e, assim, ao nosso poder pessoal – casa da confiança em nós mesmos e na vida. E aí nascem as opções autênticas, que são associadas ao prazer e à alegria pelo cérebro. E que, ao atribuir significado às nossas escolhas, dão sentido para a vida. Desta consciência (libertadora), surge, então, a deliciosa e radiante leveza de ser.

E assim, neste mundo que culta o peso do ‘ter que (o tal must) para disfarçar o que não somos e vai transformando pessoas em mortos-vivos, tipo zumbis, a leveza da verdade surge como um poderoso e almejado estimulante. Um antídoto. Uma contracultura, onde gente autêntica e segura da sua natureza se torna símbolo e objeto de desejo. Eis aí o novo sexy.

Begin Again 2

Cena do filme Begin Again (Mesmo se Nada Der Certo)