Gripe A: máscara, a nova camisinha

A segunda-feira daquele julho  em Gramado teria tudo para ser normal.  O calor alertava a aproximação de chuva e mudança brusca de temperatura.  As ruas cheias e o trânsito complicado eram sinais claros da boa alta temporada daquele mês de julho.  Apenas uma coisa, no entanto,  não estava normal naquele dia: a temperatura do seu corpo, que a lhe transportava a algum verão escaldante.  A febre de 38,5 não cedia…

Alarmada pelas constantes notícias da gripe A,  Ela tratou de conseguir uma consulta médica. Afinal, vários dos sintomas alardeados da temida doença no inverno gaúcho estavam ali presentes em seu corpo.  

Cautelosa – e exagerada –  decidiu sair de casa protegida como manda o figurino. Ou melhor, como orientam as campanhas  do governo. De máscara – que, por sorte, Ela ainda tinha anos após ter feito um workshop de graffitti.  Não satisfeita com a máscara, resolveu proteger também os olhos. Afinal, sempre dizem que devemos  proteger as membranas  ou algo assim?

Lá se foi, com um bom par de óculos  escuros redondos, gigantes  e de aro vermelho.  Não foi ao embarcar no carro verde limão  fosforecente de uma amiga que Ela percebeu  as reações dos outros. Somente ao desembarcar  e caminhar apressadamente rumo ao centro médico é que Ela notou os olhares  em sua direção. Atônitos. Assustados.  Arregalados.  Debochados. O susto que a pessoa que saia do elevador  tomou ao lhe fez procurar um espelho. E eis que Eça se seu… 

– Ai, Jesus! Pareço Michael Jackson depois da gripe!

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Constatado isso, Ela resolveu curtir seu dia de celebridade e fama. Ou melhor, de inglória. E   tratou de tirar vantagem da bizarrice.  O temor imaginário associado à sua figura (leia-se  máscara + óculos) se revelou um belo abre-alas.   Ela mal pisou no laboratório e já estava fazendo o exame de sangue.  Sobrou lugar ao seu lado pra sentar na sala de espera nas clínicas de raio-x do pulmão e de vacinas. E a espera, aliás, nunca  fora tão curta. Brevíssima.  Parecia que ninguém desejava sua bela companhia naquele dia…  

De qualquer forma, o fato é que tudo isso só reforça que a melhor estratégia sempre é fazer do limão uma limonada. Com muito estilo, claro.  E com consciência.  Porque razão iria Ela iria contagiar e passar adiante sua doença ou se expor a alguma outra se há como evitar? Foi assim que Ela descobriu que, no inverno do sul com a gripe A, a máscara é a nova camisinha.