Espelho das nossas crenças, Lua

‘O que não resolver dentro de você, é o que vai acontecer lá fora como um destino’
C. G Jung

Nos aproximamos do final da nossa jornada. Agora, encontraremos os planetas conhecidos como luminares, as forças que estão diretamente associadas aos ciclos luz-escuridão/dia-noite, entorno dos quais nossos ancestrais das cavernas estruturaram a vida para sobreviver por aqui.  Aos luminares associamos as forças que fecundam e originam a vida em si.

Por refletir sobre a Terra os raios e vibrações de energia cósmica do Sol, dos demais planetas e os seus próprios, a Lua tornou-se a grande mãe. Afinal, ela  fecundou vida orgânica na água.   Isso mostra a origem de sua associação com a maternidade, o gerar, nutrir e dar forma à semente, ao útero, à polaridade feminina (yin) do universo.

No corpo feminino, é associada ao útero, aos seios, aos ovários, à fertilidade, às secreções e à menstruação. A propósito, o ciclo lunar com suas quatro fases tem duração de aproximadamente quatro semanas – cerca de  28/29 dias.  Qualquer semelhança com o fato do ciclo menstrual regular ter 28 dias não é mera coincidência.

Sim, sim, sim. É por isso que, desde os tempos mais remotos, a Lua é símbolo do feminino. No Egito, ela era Ísis, mãe da Terra, irmã e esposa de Osíris. Na Grécia, possuía três representações, sendo cada uma delas associada a uma fase distinta da Lua. Ártemis, irmã de Apolo, é a deusa da natureza selvagem, da caça, mas também da  fertilidade e dos partos. Seu simbolismo é associado à fase Crescente.

À lua Cheia, por sua vez, associamos Selene, irmã de Helios que, assim como Apolo, é um deus solar.  Selene é representada por uma jovem que percorre o céu em uma carruagem prateada puxado por dois cavalos. Reza a lenda que ela foi amante de Pan, o grande todo, a divindade da natureza instintiva e indomada. E foi apaixonada pelo pastor Endimion, a quem seduziu e com quem teve 50 filhas. Aliás, é em função deste relacionamento aí que associamos a Lua Cheia aos enamorados, ao amor romântico que tanto poesia inspira. A propósito, já reparou como quase todas as heroínas de romance tem a tez pálida como a Lua,  ou branca como a neve?

Por fim, a Lua também é representada pela poderosa  Hécate, senhora do inconsciente e do destino; deusa das trevas, da magia e do encantamento, das mortes e dos nascimentos.  A ela Zeus concedeu o poder de realizar ou negar os desejos humanos.  Poderosa mesmo, não? Sua figura é associada tanto à fase Nova como à Minguante.

Pois todos estes mitos nos ajudam a compreender a força simbolizada pela Lua com a qual queremos nos conectar aqui: a nossa natureza instintiva e primordial que fecunda as águas do inconsciente. Porque é neste reino profundo e misterioso da psique, da alma, que se originam as crenças que geram, alimentam e nutrem a nossa existência. Em suas águas, se forma aquilo que acreditamos ser a nossa verdade. Aquilo que vemos quando olhamos no espelho. Aquilo que vamos refletir no mundo exterior.

No útero da criação, nas desconhecidas e misteriosas profundezas do inconsciente, somos todos criaturas da natureza, conectadas uns aos outros pelos instintos.  Pois essa parte irracional nossa, que chamamos de emoção, de sentimento, é a água que origina e fertiliza o nosso mundo interior.  É nas águas desse reino de instintos comum a todos nós que surgem as crenças que vão alimentar todo o nosso sistema energético, aquelas que o nosso espelho vai refletir no mundo exterior.

A força simbolizada pela Lua, portanto, nos faz íntimos da parte instintiva que compõe a natureza nossa: o reino da alma, cuja linguagem é a da emoção, dos sentimentos.  É ele que gera, fertiliza e nutre as crenças que impulsionam e estão por trás dos nossos pensamentos e atitudes.  As crenças que nosso espelho interior reflete.

‘ Somos as únicas criaturas na face da terra capazes de
mudar  nossa biologia pelo que pensamos e sentimos’
Deepak Chopra

Para Paramahansa Yogananda, a Lua é associada ao Hipotálamo, a parte do cérebro responsável por grande parte das funções fisiológicas, comportamentais e emocionais do corpo através da sua conexão com os sistemas Nervoso e Endócrino.

Aquilo que acreditamos e sentimos como nossa verdade, se transforma, de fato e realmente, em verdade para nós. E consequentemente, na vida que levamos. Por isso, toda vez que aceitamos a verdade de alguém como nossa, moldamos nossas vidas e comportamento por crenças e parâmetros externos e não com os de nossa natureza interior.  É assim que perdemos a compreensão do que nos faz bem e nutre o nosso desenvolvimento integral por aqui.

Sem refletir a nossa natureza, a autenticidade solar, as escolhas que fazemos acabam fundamentadas em crenças que sugam e exaurem a nossa energia. Adoecem o organismo.  Criam ilusão na mente. Tornam a vida estéril de significado, propósito, intenção. Ao invés de fazer escolhas que nos nutram e retroalimentam a essência, nos contentamos com qualquer porcaria. É como se optássemos por  junk food  ao invés de alimentos realmente nutritivos paras as células do organismo. Não tem como dar certo, não é?

Pois isto tudo acaba abrindo a porta para a dependência, a insegurança, o desequilíbrio, a carência.  E sempre que uma crença não refletir a nossa verdade, a nossa natureza interior, ela liquida a nossa capacidade de autonutrição. Nos enfraquece. Neste estado, não fazemos as escolhas saudáveis e assim se forma um ciclo doentio.

Agora, diz pra mim: suas crenças refletem a sua verdade?  A sua natureza interior? Ou são fruto de dogmas externos, memórias de um passado que já não existe, ou pensamentos que lhe mantém acorrentado a uma situação que não dialoga em nada com a sua verdade.