Seu corpo, sua consciência

Esta imagem é de um mural de Wynwood, em Miami. Lindo demais!

Estava eu remexendo nos meus arquivos quando me deparei com um texto que escrevi para o Kurotel há dois anos, sobre palestra que o neurocientista António Damásio fez em Porto Alegre na época, no Fronteiras do Pensamento. Nela, ele falava sobre o papel dos sentimentos na vida humana nossa.

Enquanto eu relia a matéria, algumas frases captaram minha atenção, por me lembrarem outros textos e frases de Osho que eu relera dias antes. Foi aí que percebi que aquilo que parecia tão abstrato e até difícil de compreender na palestra do neurocientista, convergia com as palavras do mestre na arte de despertar a consciência. E isso fez com que tudo se tornasse mais claro e até simples de entender.

Naquela noite, Damásio apresentara o conceito de homeostasia,  uma espécie de programa biológico que regula e equilibra a vida e que está intimamente ligado à origem das emoções e como elas afetam o corpo.  Segundo o neurocientista,  essa tal homeostasia não está ligada ao cérebro, mas à fisiologia, sendo implementada por programas de ação que ele denomina ilusão.

E o que seria uma ilusão?

Para Damásio, ilusão é o conjunto de ações que uma determinada emoção gera em nós, em nossos organismos. Pegue o medo, por exemplo. Conforme o neurocientista, esta emoção age direta e fisiologicamente no coração e no nosso comportamento,  ativando ações como congelar, correr ou produzir tensão. Pois  este conjunto de ações gerados no corpo por uma determinada emoção é a ilusão.

A ela, explicou o neurocientista, segue-se um sentimento que nada mais é do que uma percepção que ocorre na mente em relação ao que acontece em nosso próprio corpo. A mente percebe o corpo e gera a ilusão. Assim sendo, como os sentimentos forçam a atenção para aquilo que os causa, eles acabam sendo sentinelas e motivadores de nossas vidas, abrindo  ‘caminho para a aprendizagem, a imaginação, a memória, a tomada de decisão’, nas palavras de Damásio.

– Qual o primeiro dos sistemas sensoriais que temos à nossa disposição?  O sistema principal e primeiro é o que olha para o nosso corpo. Nada faz sentido em tato, audição ou visão se não houver uma maneira de sentir o próprio corpo. Se não sentimos nosso corpo, não somos coisa nenhuma – explicou o neurocientista.

E foi aqui, então, que as palavras de Osho convergiram com as do palestrante.

– Nunca me forcei a fazer nada, apenas tenho testado coisas novas para sentir onde meu corpo se ajusta perfeitamente. … Você deve escutar seu próprio corpo, pois ele possui grande sabedoria. Se você escutá-lo, tudo vai dar certo. Se continuar forçando-o a fazer coisas, nunca será feliz: estará sempre doente, incomodado, distraído e desorientado –  afirma o mestre em sua obra.

Uau!

Doutores da ciência & mestres da consciência de mãos dadas, mostrando o quanto a percepção do que ocorre no próprio corpo, no final das contas, está conectado à nossa consciência. E como isso dá o tom do nosso estilo de viver, do nosso agir, do comportamento de cada dia. Observar o que sentimos no corpo. Escutá-lo.  ‘Se não sentimos nosso corpo, não somos coisa nenhuma’, como disse Damásio. ‘Se você escutá-lo, tudo vai dar certo’, como orienta Osho.