Era uma vez, os sapos

presta atenção, princesa: nem todo sapo é príncipe, nem todo príncipe é sapo.

presta atenção, princesa: nem todo sapo é príncipe, nem todo príncipe é sapo.

Era uma vez uma princesa inquieta e de ideias maluquinhas  que vivia lépida e feliz. Um dia, ela conheceu um príncipe sapo e se estrepou com ele. E com outro. E mais outro.  Aí, ela foi fazer terapia, pra descobrir porque só fazia atrair sapos. E foi muito legal. Com o tempo, a princesa foi ficando lépida, faceira e leve, leve, leve  – como pluma e borboleta.

Yay! Estava tudo resolvido.

Foi então que surgiu um príncipe estiloso-queridão, de passagem pelo reino em uma de suas muitas aventuras mundo afora.  Caidinha pelo charme e carisma do moço, logo a princesa se rendeu aos seus  encantos. E se entregou a ele numa noite de chuva, com toda a leveza do seu ser.  Uma bela e intensa conexão se estabeleceu entre os dois naquele momento. Feliz feliz, o melhor dela fluía. E um contato real, visceral e harmonioso entre eles se estabeleceu.

Mas aí algo inesperado aconteceu.

Para total surpresa da princesa, logo ela percebeu que o bonitão também despertara nela os sapos de um passado que ela julgava resolvido.  Um coaxar ensurdecedor invadiu, então, a cabeça da princesa, que se viu às voltas com sentimentos há muito tempo esquecidos.  Messed up, chocada e ansiosa com a inesperada invasão, a princesa perdeu o rebolado. E a noção. E meteu os pés pelas mãos.  Logo príncipe foi embora, um bocado surpreso diante de tamanha transformação.

Triste de dar dó, a princesa quis, então, compreender o significado de seu estranho comportamento.  Não demorou a ligar os pontos e entender que a passagem do príncipe a havia tornado consciente do seu calcanhar de Aquiles:  o medo de qualquer tipo de envolvimento ou  romance  – o que não parecia estar resolvido, como ela acreditava. Absolutely not.

A princesa, então,  lembrou das palavras do príncipe, que havia  contado histórias incríveis sobre o poder que cada um tem de mudar a si mesmo.  E logo concluiu que, para tirar os sapos e suas estranhas sinfonias da mente de forma definitiva e assim retomar a leveza do ser no coração, o caminho era empreender uma nova jornada ao seu interior.   Às vezes, precisamos refazer o caminho com um novo olhar e de uma outra maneira para o despertar de uma nova consciência.

Feliz com tal compreensão, a princesa se lançou, então, ao desafio. E para sempre agradeceu a oportunidade que a existência a ela trouxera na pessoa do príncipe querido e bonitão, que deflagrou a situação que acabou lhe ensinando o quanto  ser fiel à própria natureza atrai príncipes e repele sapos.

Escrita em dezembro de 2012