Desesperada para casar # 8

Enquanto explicava, Caubói dirigiu até um centro comercial pequenino, onde não era cobrado estacionamento. E levou Luciana pra saborear um PF baratinho em um restaurante despretensioso e até meio engraxado, mas bem movimentado. O almoço da dupla logo foi interrompido. Muito antes de terminarem a refeição, o celular de Wanderley soou histericamente, numa melodia meio duvidosa.

Luciana notou que sua expressão foi ficando séria enquanto ele falava, com a mão tapando o bocal. Desligou o telefone nervoso e pediu a conta. Lu não entendeu mais nada. Eles ainda nem haviam terminado de comer.

– Vamos embora? – perguntou ela.

– Sim, preciso ir agora pra casa! Minha mãe está tendo um ataque de asma e não sabe em que maldito lugar ela enfiou a tal da bombinha! – explicou, agitado.

Ainda atônita com tudo e não entendendo mais nada, quando a conta chegou à mesa, Luciana escutou o caubói dizer:

–    Vamos rachar a conta, princesa.

O quê? Rachar a conta do PF e de uma única água mineral para dois?

Não, não, não!

Em total estado de choque, confusa com o possível teste e inibida com toda a situação, Luciana abriu a carteira e entregou algumas notas ao namorado.

–    Princesa, faltam quinze centavos da tua parte! – disse Ley, após conferir o dinheiro.

Nesse momento, Luciana resolveu parar de ignorar o fato de que se metera em uma grande roubada. E que o bofe não era exatamente aquilo que dizia nos e-mails. E que, provavelmente, ele não lhe dissera toda e somente a verdade nas mensagens trocadas.  “E agora? O que eu faço”, perguntou-se, perplexa.

Continua aqui.

PS:  ‘Luciana, desesperada para casar’  é uma das primeira histórias que escrevi,  inspirada nas protagonistas desastradas dos livros que me divertiam no raiar de 2004. Um tempo em que as protagonistas não contavam com a ajuda de facebook, instagram, tinder, what´s app ou do falecido orkut.