Desesperada para casar # 7

Ao acordar na manhã seguinte, Luciana descobriu que o hotel não oferecia café da manhã. Meio a contragosto, caminhou até um boteco próximo que o recepcionista lhe indicara. Sentou em uma mesa e pediu uma taça de café com leite e um misto quente. Enquanto aguardava, pegou o jornal local e começou a folhear, aleatoriamente. Seu coração disparou ao ver um anúncio de página inteira, enorme, da loja do Caubói! Lojas, quer dizer. Sim, Luciana descobriu que era uma rede de lojas.

– Pra fazer um anúncio desses, com certeza, não é uma lojinha qualquer!  – sussurrou baixinho. – Será que ele tem uma franquia desta rede?

Como o caubói só iria pegá-la na hora do almoço, Lu resolveu caminhar pelos arredores do hotel. Comprou algumas revistas em uma banca de jornais e voltou para o quartinho, onde ficou lendo. Passava do meio-dia quando o recepcionista avisou que o “Seu Wanderley” havia chegado.

Luciana desceu animada a escadaria. E, ao chegar na recepção, viu que seu amado lhe esperava já sentado na F 1000. Ao entrar no carro, foi recebida com um sonoro beijo embalado pela canção sertaneja que Ley escutava.

–    Bom dia, princesa! – disse sorrindo o caubói.

–    Bom dia, querido! – respondeu ela.

–    Lu, como estou sem muito tempo pra almoçar, pensei em irmos a algum lugar meio perto. Pode ser? – indagou ele

–    Pensei que a gente ia passar a tarde juntos hoje… – disse, chateada, a secretária.

–    Não posso! – disse, com certo pesar na voz – Surgiu uma emergência. Preciso levar minha mãe no médico pra fazer uns exames. Vou ficar a tarde inteira envolvido com ela! – concluiu.

Ao ver o olhar de decepção da secretária, ele emendou.

–    Pra compensar, princesa, amanhã a gente vai passar, sim, o dia juntos! – anunciou, animado.

Luciana ficou mais empolgada. Um pouco. Finalmente, um dia de sexo no quartinho barato do hotel! Seu entusiasmo, no entanto, esmoreceu tão logo o caubói revelou quais eram seus planos:

–    Vamos pescar no Araguaia! Já combinei tudo com um parceiro meu que tem campo por ali. Vamos de barco até o sítio dele pra assar uma carninha. – disse. E continuou, animado. – Hoje no finzinho da tarde, vamos comprar carne e cerveja pra levar. Vai ser bão de demais nosso sábado, princesa!

Continua  aqui.

PS:  ‘Luciana, desesperada para casar’  é uma das primeira histórias que escrevi,  inspirada nas protagonistas desastradas dos livros que me divertiam no raiar de 2004. Um tempo em que as protagonistas não contavam com a ajuda de facebook, instagram, tinder, what´s app ou do falecido orkut.