Desesperada para casar # 6

–    Problema? Como assim? – questionou.

–    Se ela não te aceitar, quando a gente casar, você não vai poder trabalhar no caixa da loja, como eu já planejei – começou a explicar. – Além disso, ela vai cortar o pagamento de umas despesinhas que eu tenho com a caminhoneta e o barco.

Ao ouvir a palavra casar, os olhos de Luciana brilharam. Afinal, ela viajara quase dois mil quilômetros para isso, para um casamento. E, empolgada, esqueceu suas dúvidas, abandonou as evidências e não prestou atenção no restante das explicações.

–    Pra completar, minha mãe está bem doente. Tá com pressão alta e tem asma. – contou, com um olhar tão tristonho que deixou Lu morta de pena. – Ela anda sempre com aquelas bombinhas, sabe? Não pode fazer nada sem carregar aquilo. É um estresse!  – completou, chateado.

Luciana derreteu-se de vez.

–    Que meigo da sua parte, Ley – disse, manhosa. – Te amo ainda mais! – declarou-se.

O caubói sorriu, feliz, e pediu mais chope para os dois. Depois de outras seis rodadas, os dois resolveram ir embora. Até porque Ley iria trabalhar mais cedo na sexta-feira para que eles pudessem passar a tarde juntos. Ao receber a conta, Luciana percebeu que ele ficou bem transtornado.

–    Princesa, esqueci minha carteira com dinheiro, cartão de crédito e cheques na caminhoneta! Será que você pode acertar a conta? Depois eu te pago. – pediu ele, sem jeito.

–    Claro, não te preocupa! – respondeu Luciana, pensando na grande dentro que ela havia dado ao colocar pelo menos o cartão de crédito na bolsa.

–    Eu pago assim que a gente chegar no carro – garantiu o Caubói.

–    Ok. – respondeu a donzela, ainda sob o efeito da palavra casar.

Depois de pagar a conta, os dois percorreram novamente todos aqueles quarteirões até a F 1000 de Wanderley. Tão logo entraram no carro, o caubói surpreendeu Luciana com uma série de beijos apaixonados e intensos.

– Amanhã, princesa, nós vamos passar a tarde juntinhos lá no hotel! – prometeu, apaixonadamente.

Sem fôlego, Luciana recostou-se no banco e ali ficou, absorta em pensamentos repletos de luxúria e sexo que iriam rolar no quartinho bagaceiro do hotel em uma espécie de preview para o dia seguinte. “Bom demais”, pensou, esboçando um sorriso.

Minutos depois, Wanderley estacionou sua caminhonete na frente da recepção e, sem desligar o motor, despediu-se de Luciana, colocando um broxante ponto final nos devaneios da moça.

–    Você não vai subir? – perguntou ela.

Ele olhou bem fundo nos olhos de Luciana e disse, com voz rouca:

–    Não devo. Se eu subir, não vou mais pra casa e aí…

–    Tudo bem. – respondeu, resignada. – Até amanhã, então! – disse, antes de descer da caminhonete e caminhar rumo ao quartinho barato do hotel.

“Será que vai ser assim a semana inteira?”, ainda pensou antes de cair, exausta, em um sono profundo.

Continua aqui.

PS:  ‘Luciana, desesperada para casar’  é uma das primeira histórias que escrevi,  inspirada nas protagonistas desastradas dos livros que me divertiam no raiar de 2004. Um tempo em que as protagonistas não contavam com a ajuda de facebook, instagram, tinder, what´s app ou do falecido orkut.