Desesperada para casar # 5

–    Lu, esse aí é o bar que gente vai jantar – apontou Wanderley, enquanto passava vagarosamente em frente ao lugar, uma grande construção em cimento e madeira erguida em uma esquina. – Aqui tem o melhor chope da cidade! – completou.

–    Você não vai estacionar? – perguntou Lu, ao vê-lo passar reto perto da entrada do estacionamento.

–    Não aí dentro, princesa. Não vou pagar estacionamento, né? – respondeu, sorrindo. – Ando mais um pouco e acho uma vaga na rua.

Esse mais um pouco acabou se tornando quatro quarteirões que, percorridos a pé, pelas calçadas irregulares, se transformaram em uma tortura para ela. A cada três passos, o salto agulha de sua sandália italiana ficava preso em uma falha da calçada. “Pra matar, né?”, pensava Luciana, um tanto irritada com a pão-durice do bofe.

Ao entrarem no bar, Lu teve sua primeira boa surpresa em Goiânia. O lugar realmente era bem descolado. A madeira escura dos balcões, das mesas e cadeiras dava um ar de botequim antigo ao lugar, lotado, com todo o tipo de gente. Homens e mulheres, de todos os jeitos e tribos, se misturavam nas mesas. O burburinho animado também contaminou e empolgou Luciana.

Depois de uma breve espera, os dois sentaram em uma mesa e pediram petiscos e um chope cada. Poucos minutos depois, mais uma rodada. E outra. E outra. De repente, Luciana sentiu umas gotinhas em seu rosto, como se fosse uma chuva fininha. Intrigada, perguntou ao caubói se ele também havia sentido a mesma coisa.

– É o seguinte, princesa. O bar tem um vaporizador para deixar o ambiente mais agradável. Quando o ar tá muito seco, eles vaporizam e fica um pouco mais úmido. De tempos em tempos, você vai sentir isso. – explicou Ley.

Que engraçado, pensou ela. “Nunca vi nada parecido com isso!”, admirou-se.   Aproveitando o clima descontraído e a cervejada, Lu resolveu esclarecer suas dúvidas.

–    Ley, eu acho que não entendi uma coisa. Vou ficar sozinha no hotel? Você não ia ficar lá comigo?

–    Princesa – disse ele, olhando fundo nos olhos dela com pesar. – Ia ser bão demais ficar lá com você. Mas não posso, por causa da minha mãe.

–     Como assim? – perguntou ela, sem entender mais nada.

–    É que minha mãe é muito católica e certinha. Se ela souber que a gente dormiu juntos no hotel, nunca mais vai te aceitar. Vai ser um problema pra gente no futuro. – explicou, resignado.

Luciana foi pega de surpresa. Um filho dominado por uma mãe carola também não estava nos planos! E agora? Desanimada, Luciana começou a perceber que as coisas não eram exatamente como ele havia pintado. Resolveu investigar mais um pouco.

Continua aqui.

PS:  ‘Luciana, desesperada para casar’  é uma das primeira histórias que escrevi,  inspirada nas protagonistas desastradas dos livros que me divertiam no raiar de 2004. Um tempo em que as protagonistas não contavam com a ajuda de facebook, instagram, tinder, what´s app ou do falecido orkut.