Desesperada para casar # 11

Durante as quase três horas que seguiram, Wanderley falou sobre a felicidade de ter encontrado a mulher ideal para casar, enchendo de esperança e alegria a deprimida secretária. Luciana, por sua vez, embalada pelo álcool e por tão pertinentes palavras do namorado, revelou toda a mágoa e a vergonha pela qual sua família a fazia passar.

Quando Ley pediu a conta, Luciana viu repetir-se a mesma história da noite anterior.

– Princesa, esqueci de novo minha carteira na F1000. Pague, por favor. Acerto as duas contas depois com você – falou, com a voz alterada pelo álcool.

Animada com o cada-vez-mais-próximo casamento, Lu abriu a carteira e pagou a conta do bar. De volta à caminhonete, ele não fez menção alguma em ressarci-la. Dirigiu cantando as estrofes da canção sertaneja que o toca-fitas rodava e, ao estacionar na frente do hotel, despediu-se com um beijo.

– Amanhã, pego você por volta das dez horas. – avisou. – Vamos aproveitar meu barco passeando no Araguaia. Dorme bem, princesa! – disse, enquanto Luciana batia a porta do carro.

Luciana entrou no hotel cabisbaixa, tristonha.

O efeito do álcool estava passando e ela precisava encarar a realidade: além de avarento e do truque, Wanderley não era gentil e muito menos romântico. Era o oposto daquilo que ele a fizera acreditar. Ou melhor, era o oposto daquilo que ela quisera acreditar. Sim, ela tanto desejou ardentemente um namorado, um comprometimento, que ignorou os sinais enviados juntos com as mensagens. E, em nome do desencalhe, estava se envolvendo com um tipo baixo e barato. “Será que tudo isso vale a pena?”, perguntou-lhe uma voz fraca e chata, lá dentro da sua cabeça.

É… Não havia mais como se enganar. Estava tudo muito claro…

Arrasada com suas conclusões, que aniquilaram os planos de casório, Luciana decidiu ir embora. Na manhã seguinte, antes que Ley aparecesse no hotel, ela já teria partido.

Continua aqui.

PS:  ‘Luciana, desesperada para casar’  é uma das primeira histórias que escrevi,  inspirada nas protagonistas desastradas dos livros que me divertiam no raiar de 2004. Um tempo em que as protagonistas não contavam com a ajuda de facebook, instagram, tinder, what´s app ou do falecido orkut.