A consciência da sua verdade, Sol

Então, chegamos ao centro do nosso universo pessoal. Assim como o Sol é o centro gravitacional ao redor do qual todos os demais planetas do Sistema Solar giram, também em nosso universo interior isso acontece. Porque é ele a consciência que temos da nossa individualidade, da natureza e verdade nossa que é a fonte de vida. Aquilo que o psiquiatra suíço Carl Jung chama de si mesmo.

‘O Si mesmo representa o objetivo do homem inteiro, a saber,
a realização de sua totalidade e de sua individualidade, com ou contra sua vontade’ 

No cérebro, o Sol é associado ao Tálamo que, para o iogue indiano Paramahansa Yogananda é uma espécie de HD do organismo humano.   No corpo, relacionamos ele ao coração. E fica fácil entender por que levamos a mão ao peito e não à cabeça ou à barriga quando proclamamos, emocionados, frases como ‘eu sou’, ‘eu acredito’, ou ao entoarmos um hino. Aham, isso mesmo. Porque o coração simboliza o nosso centro energético gravitacional, a fonte em torno da qual gira toda a nossa vida: o tal de si mesmo.

Sim, sim, sim. A força que o Sol simboliza é o ‘conhece-te a ti mesmo’, palavras  grafadas no santuário de Delfos,  templo na Grécia dedicado ao deus Apolo, a quem a Mitologia grega associa o Sol. Entre seus atributos, era considerado senhor do conhecimento, do anseio pela consciência e compreensão da verdade nossa. Essa é a luz que rompe a escuridão do desconhecido, a luz que cabe à  Lua refletir.

A consciência da nossa verdade, da nossa natureza, da nossa individualidade, se expressa na autenticidade, na espontaneidade que irá direcionar os impulsos de todas as demais forças simbolizadas pelos planetas. É por isso que eu digo e repito que devemos ouvir sempre a voz do coração. Porque ele ressoa a nossa verdade pessoal, a nossa natureza. SEMPRE.  Ele é a nossa conexão pessoal com essa força divina e poderosa, maior que nós, e que anima a vida. E que é o amor.

Agora você compreende aquilo que eu falei lá no início do livro: que  é a sabedoria inata de amor do coração que nos guia e mostra o que é verdadeiro para nós e relevante de fato para o espírito, a alma, o corpo, a mente.  Entende, agora, o que eu chamo de viver com todo o coração? Sim, sim, sim. É viver com consciência da verdade, da natureza, da individualidade nossa. Do si mesmo.

Um retrato fiel disso é a declaração que li dos irmãos Humberto e Fernando Campana, designers brasileiros reconhecidos internacionalmente por suas criações, em entrevista para uma revista de circulação nacional.  Dizem eles:

Nunca tivemos estratégia de marketing, por exemplo.
Sempre fizemos o que nos agrada. Agradar os outros é uma conseqüência.
Nunca nos guiamos pela moda e acho que conseguimos
contaminar outras pessoas com essa energia espontânea

Salve a autenticidade, a energia espontânea a que eles se referem, que surge da consciência da verdade do coração.  Uma compreensão que desponta não no reino do intelecto, mas na intuição. E espontânea e naturalmente, sem artificialismo algum.  É sincera, verdadeira, autêntica.  Aquele ‘sei, mas não sei explicar porque sei. Só sei que sei’.

Pois seguir essa orientação interior, a sabedoria inata do coração, esse sistema intuitivo que está sempre dialogando conosco e nos enviando mensagens, é a forma mais alta de amor e cuidado que podemos ter  – conosco e com os outros. Sim, sim, sim. Ter coragem de seguir as diretivas espirituais que iluminam a consciência é o maior ato de amor por nós mesmos. Pelos outros. Pelo  mundo.

Quando não buscamos o conhecimento da verdade, entregando essa tarefa aos outros, é o que acontece com o coração – ele fica encoberto por nuvens. E assim, abrimos mão do nosso poder pessoal, de nossa própria voz. Então, conforme vamos ficando mais e mais distantes do nosso centro, do Sol, nada mais flui espontaneamente. E quase tudo requer cada vez mais esforço e força de vontade, e vai cansando, se tornando exaustivo, desgastando, tirando a vitalidade e o brilho nosso.  Assim, criamos um triste ciclo de não ter consciência da nossa natureza e verdade, do si mesmo, e nos tornarmos o nosso meio.

Mas presta atenção!

Excessos aqui também são um problema. Sol em excesso cega a consciência e também nos impede de ver, nos levando a acreditar nas mentiras e ilusões que nos conta o ego, aquele servo trapaceiro – lembra dele? Então, conecte-se ao Sol e desperte a consciência do si mesmo. Porque é isso que nos leva a viver plenamente e com todo o coração cada dia que estamos aqui.

‘Descubra a sua própria voz. Depois faça o que ela diz sem receio.
Aonde quer que ela o leve, é ali que está o objetivo da sua vida, é ali
que está o seu destino.  É só ali que você encontrará satisfação, contentamento’.
Osho