Com todo o coração

‘As pessoas frequentemente tentam viver suas vidas de trás para frente: tentam ter mais coisas, ou mais dinheiro, para poderem fazer mais daquilo que gostam, para que assim possam ser mais felizes. A coisa funciona ao contrário, na verdade. Você precisa primeiro ser quem realmente é, então fazer aquilo que realmente tem que fazer, para ter o que deseja’. Margaret Young

Cada vez mais cientistas, pesquisadores, pensadores e profissionais contemporâneos de áreas distintas confirmam o que os sábios e os escritos sagrados da Antiguidade já ensinavam há milhares de anos: seja quem você é. Tenha consciência (e honre) aquilo que você nasceu para ser, o seu propósito, a sua missão. Seja pleno, presente, aqui e agora. Por inteiro. Porque isso eleva a sua vibração, o seu espírito.

Eu sei que isso até pode parecer ousadia de uma sonhadora, de uma believer. Algo impossível, inviável. Um desafio hercúleo, que requer altas doses de coragem. Mas não é nada disso. Acredite ou não, viver em sintonia com a nossa natureza, a nossa verdade, a sabedoria inata de amor do coração é muito menos complicado e bem mais simples e natural do que estar em um papel que não dialoga com a nossa essência.

Quem também defende isso – como já falei aqui –  é o britânico Ken Robinson, autoridade em criatividade e educação. Ele afirma com veemência que ‘à medida que o mundo for evoluindo, cada vez mais o futuro de nossas comunidades e instituições dependerá’ do elemento-chave’. O que é isso?

É ‘o lugar onde o que você gosta de fazer se encontra com o que você faz bem’. É tornar-se consciente dos seus talentos, paixões, aptidões, vocações. E investir neles. É alinhar seu estilo de vida e trabalho às profundas intenções que dão significado à sua existência por aqui. Em harmonia e absoluta sintonia com sua verdade, guiado pela sabedoria inata de amor do coração.

Mas então, porque tudo isso parece tão equivocado? Como algo que deveria ser natural parece ser tão difícil e complicado?

A resposta é simples, caro Watson: desconexão. O homem como sociedade se distanciou da natureza e deixou de se relacionar com seu entorno e também com seu interior. Assim, foi deixando de ouvir a sabedoria do coração e desaprendeu a viver plena, criativa e sabiamente. Com todo o coração. E a reconhecer toda a beleza, a força e potencialidades que reside em seu interior. Enfraqueceu o espírito, e passou a viver como um zumbi, um morto-vivo sem brilho no olhar e alegria alguma no coração. Indiferente à vida, passou a fazer uma coisa e pensar em outra.

Como mudar isso? Como (re)conectar?

Escutando o seu coração, claro! Porque ele, que é o primeiro órgão a se formar quando ainda estamos no útero, acolhe e guarda a sabedoria amor que nos habita – o divino em nós, a nossa verdade, o nosso espírito. Através dele, nos conectamos à nossa voz interior e compreendemos as necessidades e anseios de expressão da alma e fazemos escolhas que honram e fortalecem o espírito.

Aliás, nestes tempos contemporâneos, a leveza de espírito, e não a do corpo, vem se tornando o novo sexy. Já reparou nisso? Não? Pois observe.

Nos últimos tempos, cada vez mais ouço testemunhos de que o que seduz e atrai não são só corpos bonitos e sarados. Sim, eles ainda são o cartão de visita e são sempre bem-vindos! Indiscutivelmente. Mas o que magnetiza e conecta, de fato, é a confiança de quem está em sintonia com a sua verdade, com o próprio poder, que se aceita como é, não esconde os pontos vulneráveis, sabe rir das imperfeições e, assim, se torna leve.

Quando aceitamos a nossa natureza, exatamente como somos, acolhemos nossas deficiências (e as dos outros), bem como as situações que a vida vai apresentando – tipo, cair na escada ao receber um Oscar. E nos conectamos ao que de melhor nos habita e abunda em nós. Isso nos leva a amar com todo coração quem somos.

Aí, o resto é conseqüência.

Naturalmente vamos despindo os excessos de críticas, de cobranças, de dogmas, de controles até chegar à nudez total ao abandonar o algoz ‘tenho que’, com toda a pressão que ele traz em si. Aliás, eita expressão infeliz essa – quase sempre conectada à angústia da não opção e da necessária obrigação para ser aceito. Pra mim, nada mais ‘last season’ e ultrapassado do que o tal ‘must have’. Muito radical e impositivo demais para tempos em que mais é a leveza de ser.

Então, aceitando a nossa essência, a nossa natureza, nos conectamos ao nosso melhor e, assim, ao nosso poder pessoal, à confiança em nós mesmos e na vida. E disso nascem as opções autênticas, que o cérebro associa ao prazer e à alegria. E que atribuem significado às nossa escolhas, dão sentido para a vida. Desta consciência (libertadora), surge, então, a deliciosa e radiante leveza de ser. Um poderoso e almejado estimulante. Um antídoto. Uma cultura onde gente autêntica e segura de si, conectada às forças da sua natureza, se torna símbolo e objeto de desejo.

Porque não há nada mais poderoso e nem ninguém melhor para sermos nessa vida do que nós mesmos. Quem também diz isso, como já dialoguei aqui tempos atrás,  é Rick Jarow, mentor vocacional que vem encorajando milhares de pessoas mundo afora a trabalhar com propósito de vida, a partir do que é verdadeiro e autêntico para elas. ‘A alegria é a essência de ser você mesmo. Quando fazemos o que nos faz sentir bem, a alegria flui e é contagiante’, explica Jarow na obra ‘Criando o Trabalho que Você Ama’. Para ele, é assim que vamos garantir a mais genuína contribuição à comunidade mundial que está emergindo. Olhando pra dentro, e dialogando com a sua natureza, a sua verdade. O seu céu interior.