Ação ou reatividade, Marte

‘O que guia os desejos de Marte é o sincero desejo da alma
de se expressar através de uma personalidade harmoniosa’
Martin Schulman.

Nosso próximo encontro é com uma força intimamente conectada à vontade e ao instinto de sobrevivência. A energia que nos move na hora de enfrentar os desafios e as contradições da vida.  Conheça Marte, símbolo do impulso que nos faz agir em prol da conquista do ambiente e da sobrevivência, planeta associado à assertividade, à libido e à ação.  Ares, o deus da guerra na Mitologia grega, da agressividade natural e instintiva.

Eis aí a força que nos faz agir e reagir, duas atitudes bem distintas.  Agir é tomar providência, atuar.  Reagir, por sua vez, é responder a um estímulo, exercer reação contrária, se opor, resistir.  Em resumo: agir é fazer, empreender; reagir, é responder, agredir. Compreender essa diferença pode mudar muito o mundo. Porque podemos direcionar essa intensa energia e seus ímpetos contraditórios não para a guerra e o combate, mas sim para executar tarefas e atividades que tragam harmonia e desenvolvimento. Mas isso só acontece quando estamos em conexão com nossa verdade, quando a ação se origina na autenticidade da natureza nossa.

Aliás, o iogue Paramahansa Yogananda associa a energia de Marte à Amígdala Cerebral, a guardiã sempre alerta que recebe do olfato as informações responsáveis para a nossa sobrevivência. Cabe a ela, entre outras coisas, disparar a mensagem instintiva que irá identificar um grande desafio que teremos (o tal enfrentar um leão dos primórdios) e irá deflagrara a ação que adotaremos – fugir ou ficar e lutar com a fera.

 

Em sintonia com nossa verdade, direcionamos nossos impulsos, instintos e a ação para o que é realmente importante e fortalece o nosso espírito, a nossa alma, o nosso corpo, o organismo como um todo.  Ou seja, para o que é autêntico para nós. E deixamos de reagir de forma completamente equivocada e inadequada, quase sempre transformamos gatos e até formigas em leões, empregando uma energia excessiva e desnecessária no processo de lutar ou fugir deles.

Fiéis ao propósito nosso, agimos espontaneamente, sem artificialismos, sendo honestos e leais com a verdade. O tempo inteiro. Isso nos enche de energia, estimula e faz transbordar vitalidade. Fazemos tudo com tesão (palavra bem marciana, a propósito) e deixamos para depois somente  o que assim deve ser. Tomamos providências, agimos, atuamos. Fazemos o que precisa ser feito e vivemos com todo o coração.

‘O homem verdadeiro age de maneira espontânea.
Se você lhe faz uma pergunta, obtém uma resposta, não uma reação.
Ele abre o coração para a sua pergunta, expõe-se a ela, responde a ela’
Osho

Sem esta compreensão, abrimos mão do poder pessoal e da liberdade de usar a nossa libido, a nossa agressividade e energia empreendedora, no que e como nos interessa. Desconectados dessa força, os desejos que nos impulsionam e estimulam agir não são nossos de fato. O que, por sua vez, nos leva a agir sob controle alheio ou a fim de controlar as reações dos outros.

Em ambos os casos, há carência de significado. E assim acabamos reagindo com exacerbo: ou nos tornamos pessoas histéricas e reativas, ou zumbis sem vontade, jogando toda e qualquer tomada de ação para outro tempo que não o presente. Ambos os comportamentos acabam interferindo na energia da nossa libido e no organismo.  E nem preciso dizer o quanto tudo isso gera confusão, descompasso e frustração, não é?

Mas presta atenção!

Reagir e expressar a emoção que sentimos são coisas absolutamente distintas.  Aprendi com minha prima, a espetacular psicóloga Ana Rizzon, que TODAS as emoções fazem parte de um cérebro saudável – não apenas amor, alegria, gratidão, e outras afins a estas.  Ana diz e repete que “um cérebro saudável também sente ódio, raiva, inveja, medo, rancor, pesar…  mesmo que nossa cultura predominantemente cristã diga que tais emoções não pertencem a almas elevadas. O fato é que elas existem, aparecem e precisamos dar conta delas, com nossa sabedoria e nossas fermentas.”.

As sábias palavras da Ana nos ajudam a compreender que emoções e sentimentos precisam e devem ser vivenciados, manifestados, sim! Afinal, eles são importantes e, entre outras coisas, sinalizam necessidades a serem compreendidas, caminhos a serem encontrados nas nossas jornadas.  Negar qualquer emoção, não expressá-las, seja amor ou raiva, é rota certa para adoecer.

O que devemos evitar fazer é agir no calor da emoção, quando estamos tomados por impulsos contraditórios. Porque aí, a ação se torna reatividade. E isso quase nunca acaba com final feliz.