A (não) evolução do comportamento

Definitivamente, homens são de Marte e mulheres são de Vênus. Não há religião, curso motivacional ou terapia revolucionária que altere a natureza hormonal, o comportamento e as características mais instintivas de testosteronas e estrógenas. Algumas coisas são típicas e – aceita – não mudam.

O que me fez concluir isso?
O papo abaixo.

Estava eu na academia e o assunto por lá não poderia ser outro. Gremistas secando e seus sempre-eterno-rivais vermelhos e vice-versa.  Pois estava eu em um inspira-expira-alonga, quando ouço um bíceps hipertrofiado conversando com um braço peludo.

– Cara… Vou pro estádio às 4 da tarde! Tô nervoso – diz o hipertrofiado.

– E eu, meu… Nem quando eu terminei com a minha namorada fiquei tão atucanado  assim – responde o peludo.

Tão logo ouvi o diálogo, caiu por terra qualquer teoria da evolução dos hormônios. E conclui que não tem jeito. O comportamento muda, sim.

Testosterona é testosterona. Ama futebol e brinquedos – em especial, os tecnológicos. E estrógena se amarra mesmo em relações e comparações. Estrógenas até podem gostar futebol. Mas nada parece deixá-las mais empolgadas do que um  tititi com amigas. Ainda mais quando o tema é o predileto: eles, é claro!

Mulher vibra nas arquibancadas, sim! Mas nem a jogada mais linda ou o gol mais fantástico são capazes de superar a alegria de ver aquela calça justésima fechando  ou a excitação hormonal de uma das atividades mais apreciadas por estrógenas. Discutir a relação, claro!

E eles?

Poucas coisas deixam um testosterona mais excitado do que ter o brinquedinho high tech mais  recente.  Porém, nada (absolutamente nada mesmo) parece ser mais amado por eles do que competição. Em especial, as coletivas tipo futebol, que parece despertar os instintos primitivos de uma época remotíssima, cujas marcas ainda estão registradas e latentes em algum lugar obscuro do cérebro reptiliano.

Vejam vocês como um diálogo aparentemente inofensivo em uma aula despretensiosa pode quebrar paradigmas sobre a evolução da espécie e do comportamento humano. E, de quebra, reforçar a mensagem de que, sim, mulheres são de Vênus e homens são de Marte. E que há muito mais diferença entre testosteronas e estrógenas do que supunha minha filosofia.

Texto de Setembro de 2006